August 14, 2020

Exchange Traded Funds (ETFs)

por Vitor Malta

Com a necessidade de diversificação e controle dos custos dos investimentos devido a uma Taxa SELIC em patamares excepcionalmente baixos, surgem como uma boa alternativa os Exchange Traded Funds - ETFs (em tradução literal: “fundos negociados em bolsa”).

Os ETFs são fundos de investimentos representativos de índices, e são negociados no ambiente da Bolsa de Valores. Por representarem alguns índices que normalmente são compostos de vários ativos, os ETFs permitem diversificação a um custo relativamente baixo.

Primeiro: Quais são os principais Índices da Bolsa de Valores?

A Bolsa de Valores de São Paulo (B3), principal ambiente de negociação do país, disponibiliza vários dados aos investidores sobre os negócios concretizados em cada pregão (sessão diária de negociação de ativos), e entre as principais informações estão os índices. Principais índices, a saber:

Índice BOVESPA (IBOV): é constituído pelas ações das companhias de maior liquidez e maior volume em relação ao volume total negociado na bolsa. Não tem um número definido de ações: todas as ações que possuírem as características exigidas para composição do índice serão contempladas. Este índice, proveniente de uma carteira teórica de ativos, é recalculado a cada quatro meses e corresponde a aproximadamente 80% do número de negócios e do volume financeiro do mercado de capitais.

Índice Brasil (IBrX): mede o retorno de uma carteira teórica composta pelas 100 ações mais negociadas na B3, sempre em termos de número de negócios e volume financeiro.

Índice Brasil 50 (IBrX-50): mede o retorno total de uma carteira teórica composta pelas 50 ações mais negociadas na B3, levando em consideração a liquidez.

Índice de Energia Elétrica (IEE): mensura o desempenho de ações emitidas por empresas do setor de energia, incluindo a distribuição, geração e transmissão.

Índice Setorial de Telecomunicações (ITEL): mensura desempenho das ações do setor de telecomunicações.

Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC): mensura o desempenho de uma carteira teórica composta por ações de empresas que possuam elevados níveis de governança corporativa. Estas empresas necessitam ser negociadas no Novo Mercado ou estar listadas nos Níveis 1 ou 2 da B3.

Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE): reflete o retorno de uma carteira composta por ações de empresas de alto comprometimento com a responsabilidade social e a sustentabilidade empresarial.

Índice de Ações com Tag Along Diferenciado (ITAG): mensura o desempenho de uma carteira teórica formada por papéis de empresas que disponibilizam melhores condições aos acionistas minoritários, no caso de venda do controle.

Índice do Setor Industrial (INDX): mensura o desempenho das ações mais relevantes do setor industrial, escolhidas dentre as mais negociadas na B3 considerando a liquidez. 

Índice Brasil Amplo (IBrA): mensura o desempenho dos papéis de todas as empresas listadas na B3 que atendam a critérios mínimos de liquidez e presença em pregão, de forma a oferecer uma visão ampla do mercado acionário. O objetivo do IBrA é ser o indicador do desempenho médio das cotações de todos os ativos negociados no mercado a vista (lote-padrão) da bolsa. 

Índice Small Cap (SMLL): mensura o retorno de uma carteira composta pelas empresas listadas de baixa capitalização na B3 (empresas consideradas pequenas). As ações são selecionadas pela liquidez e ponderadas pelo valor de mercado das ações disponíveis.

Índice Mid-Large Cap (MLCX): mensura o retorno de uma carteira composta pelas empresas listadas de média capitalização na B3. As ações são selecionadas pela liquidez e ponderadas pelo valor de mercado das ações disponíveis.

Índice Carbono Eficiente (ICO2): composto pelas ações das companhias que participam do índice IBrX-50 e que adotam práticas transparentes quanto às emissões de gases efeito estufa (GEE), considerando para a escolha o grau de eficiência de emissões de GEE e o free float (total de ações em circulação) de cada uma delas.

Índice de Consumo (ICON): mensura as oscilações das ações das empresas dos setores de consumo cíclico (mais afetado por ciclos econômicos) e não-cíclico (resultados menos afetados por períodos de crise econômica). 

Índice Imobiliário (IMOB): mensura o comportamento dos papéis das empresas da atividade imobiliária, tais como construção civil, compra, venda e aluguel de imóveis. 

Índice Financeiro (IFNC): mensura o comportamento das ações das empresas do setor financeiro, englobando previdência e seguros. 

Índice de Materiais Básicos (IMAT): mensura o comportamento dos papéis das empresas que fornecem matéria-prima e insumos para outras empresas. Compõem a carteira do IMAT, por exemplo, algumas mineradoras e siderúrgicas que detenham maior negociabilidade e representatividade entre as ações negociadas em bolsa.

Índice Utilidade Pública (UTIL): mensura as oscilações dos papéis das empresas do setor de utilidade pública, tais como gás, água e energia elétrica. 

Índice de Dividendos (IDIV): mensura o comportamento dos papéis das companhias que se notabilizam por serem boas pagadoras de dividendos e juros sobre o capital próprio para os investidores.

Alguns desses índices podem ser acessados pelos investidores através dos ETFs. Para investir neles, no Brasil, é necessário ter uma conta em uma corretora, como a XP Investimentos. O processo de compra e venda dos ETFs é idêntico ao de comprar e vender ações, com a liquidação (débito do valor e entrega dos ativos) em dois dias úteis após a concretização da ordem.

Quais são os ETFs listados no Brasil?

BOVA11 - Possui como referência o Índice Bovespa e é composto por ações de companhias que correspondem a 80% do volume negociado na B3. Taxa de administração de 0,30% a.a.

BOVV11 - ETF da corretora do Itaú Unibanco, de composição semelhante ao BOVA11 e mesma taxa de administração. 

BOVB11 - do Bradesco Asset, possui composição também semelhante ao BOVA11, porém com taxa de administração de 0,20% a.a. 

XBOV11 - ETF que também replica o Índice Ibovespa, porém gerido pela Caixa Econômica Federal. Taxa de administração de 0,50% a.a.

SMAL11 - Possui como referência o índice Small Cap, que é a média da valorização ou desvalorização das ações com menor capitalização da Bolsa de Valores. Possui taxa de administração de 0,50% a.a. 

SMAC11 - ETF da corretora do Itaú Unibanco, de composição semelhante ao SMAL11 e mesma taxa de administração (0,50% a.a.).

BRAX11 - Possui como referência o índice IbrX100, que é a média da valorização ou desvalorização das 100 ações mais negociadas na Bolsa de Valores (quantidade e volume). Possui taxa de administração de 0,20% a.a.

IVVB11 - Possui como referência o índice americano S&P 500, que é a média da valorização ou desvalorização das ações das 500 maiores empresas dos EUA. Possui taxa de administração de 0,24% a.a.

SPXI11 – ETF semelhante ao IVVB11, porém da corretora do Itaú Unibanco e com taxa de administração de 0,27% a.a.

BBSD11 - Utiliza como referência o S&P Dividendos Brasil, que mede o desempenho das melhores ações pagadoras de dividendos no mercado brasileiro. Possui taxa de administração de 0,50% a.a.

DIVO11 - Composto por ações de empresas com históricos positivos de pagamento de dividendos. Cobra taxa de administração de 0,50% a.a.

IMAB11 - Possui como referência o índice IMA-B que é a média da valorização ou desvalorização dos títulos públicos indexados à inflação. Possui taxa de administração de 0,25% a.a. Nesse caso, o imposto de 15% é uma vantagem, já que o prazo de aplicação é indiferente.

MATB11 - ETF do Itaú que visa replicar o Índice de Materiais Básicos (IMAT), investindo em empresas fornecedoras de matéria-prima e insumos para outras empresas. Possui taxa de administração de 0,50% a.a.

PIBB11 – Possui como referência o Índice Brasil 50 (IBrX-50), portanto mede o retorno total de uma carteira teórica composta pelas 50 ações mais negociadas na B3 considerando a liquidez. Taxa de administração de 0,059%.

FIND11 – Busca replicar o desempenho das ações de empresas do setor financeiro, possuindo como benchmark o “Índice Financeiro” (IFNC), da B3. Taxa de administração de 0,60%.

GOVE11 - Busca replicar o Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC), investindo em ações de empresas com elevados níveis de governança corporativa. Possui taxa de administração de 0,25% a.a. 

ECOO11 - ETF que replica o Índice Carbono Eficiente (ICO2), portanto é composto por ações de empresas que participam do índice IBrX-50 e que apresentem determinado o grau de eficiência em emissões de gases efeito estufa. Taxa de administração de 0,38% a.a.

ISUS11 - Replica o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), investindo em empresas que apresentem políticas de responsabilidade social e a sustentabilidade empresarial. Taxa de administração de 0,40% a.a.

Todos eles possuem lote padrão de 10 cotas, mas podem ser negociados de forma fracionada (entre 1 e 9 cotas) negociando-se com a letra “F” ao final. Nesse caso, pode haver diferença de liquidez em mercado e de cotação.

Quais são as principais vantagens dos ETFs? 

  • Baixo custo: os custos de corretagem são mais baixos do que comprar cada ativo que compõe o índice individualmente. E as taxas de administração são, normalmente, menores que os fundos de investimentos em ações convencionais.
  • Diversificação: é possível fazer uma carteira com diferentes ETFs, de estratégias complementares, e que investem em ativos diversificados.

Quais são as principais desvantagens dos ETFs?

  • Imposto de Renda: A tributação é idêntica aos fundos de ações, o que é desfavorável em relação a investir diretamente em ações. Não há isenção em movimentações de até R$ 20.000,00 por mês e não há isenção para os dividendos.
  • Falta de Liquidez: por ser um mercado ainda incipiente, alguns ETFs têm pouca liquidez (pouco volume negociado).

Quais são os principais custos dos ETFs? 

  • Impostos: Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) do Estado de São Paulo e Imposto de Renda.
  • Corretagem: cobrança de valores que variam entre as corretoras.
  • Emolumentos: Taxa de Liquidação e Custódia, cobrada pela B3.

Alternativas à disposição dos investidores

Apesar de serem vários os índices divulgados pela Bolsa brasileira, nem todos estão disponíveis na forma de ETFs. Além disso, não são todos os investidores que se sentem confortáveis ou possuem o perfil de operar diretamente na Bolsa de Valores, comprando e vendendo os ETFs.

Nesses casos, a XP Investimentos disponibiliza algumas alternativas: os fundos de investimentos da família Trend, da própria XP Asset Management, focada em fundos indexados. Destacando algumas opções:

Bolsa Chinesa - fundo multimercados que busca seguir o índice MSCI China, composto por mais de 600 ações.

ESG Global - fundo multimercados que investe em ETFs compostos por ações de empresas brasileiras e estrangeiras que tenham alto padrão ESG: Environmental, Social & Governance (boas práticas ambientais, sociais e de governança).

Estatais - fundo de ações que investe nas 11 principais empresas estatais brasileiras.

Ibovespa Balanceado ou Dólar - opções de fundos que replicam o Ibovespa, porém com metade da volatilidade ou com sua variação em dólar.

Imobiliário - fundo multimercados que investe em Fundos Imobiliários no intuito de seguir o XPFI, índice XP de Fundos Imobiliários. Reservado para investidores qualificados.

Trend

Na classificação de risco da XP Investimentos, os fundos Trend Bolsa Chinesa FIM, Trend ESG Global FIM, Trend Estatais FIA, Trend Ibovespa Balanceado FIM, Trend Ibovespa Dolar FIA, Trend Imobiliário FIC FIM são indicados para investidores de perfil Moderado.

Vitor Malta.

Advogado pela UFMG, Certified Financial Planner CFP®️ e certificado de especialista em investimentos pela ANBIMA, com experiência em planejamento sucessório e patrimonial. Especialista em Direito Civil pela Escola Superior Dom Helder Câmara e Legal Master em Direito Empresarial pelo IBMEC.